Um certo tipo de morte

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Não são as grandes coisas que nos enfraquecem.

Tobias estava certo disso. Obviamente perder uma casa num desastre, ou o emprego repentinamente, eram fatos tristes. Eu, você e Tobias sentiríamos falta dessas coisas, mas não sentiríamos saudades. A gente só sente saudades da vida.

Tobias acreditava que a vida não era uma coisa só. A vida era composta, primeiramente, do total funcionamento dos órgãos, em união. Depois dessa parte biológica, viria todo o resto: as relações, os eventos, o cuidado, as conquistas e a manutenção disso tudo que, no final, chamamos de vida.

Tobias acreditava que a perda das grandes coisas era um baque gigantesco que poderia influenciar em mil outras coisas, gerando milhões de ramificações. Um baque é um grande susto.

Tobias não perdeu a casa, não perdeu o emprego, mas perdeu pequenas outras coisas durante a vida. E foi aí que ele percebeu que, enquanto um baque lhe tirava do eixo, as Pequenas Coisas lhe consumiam.

Tobias se sentia enfraquecido pelas pequenas coisas que perdera. Às vezes, ele teoriza, essas coisas são tão pequenas que, ao perceber a ausência de uma, várias outras já se esvaíram - perdidas para sempre ou, ao menos, perdidas demais para se encontrar.

E todas essas coisas o deixavam rodando, perdido, em um sucessivo looping de baques - que pareciam infinitos - e em um certo tipo de morte.


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