Hey, J-J-Jaded!

Nenhum comentário


Para dizer quantos e quais shows fui, teria que parar e pensar bem. Gosto muito de listas e, quando era (bem) mais nova, fiz uma listinha de shows que tinha que assistir antes de morrer. Eu morava no interior do Rio e não tinha lá muitas esperanças, mas fiz de qualquer forma. E ela é a seguinte:


1 - R.E.M.
2 - The Cranberries
3 - Madonna
4 - U2
5 - Aerosmith

Acho que deve ser clichê dizer isso, mas música leva uma grande parcela da minha atenção. E ver um bom show é uma experiência diferente toda vez, e provavelmente cada um deles tem sua própria história.

Talvez seja mais ou menos quando Harry Potter e a Pedra Filosofal estreou no cinema, no sentido d'ele ter saído do papel e estar em imagem. No caso da música, ela deixa de ser só o MP3 (que durante muito tempo baixei com a dificuldade da conexão discada) para virar carne, osso, voz, movimento, cor, papel cortado etc

Entre 2008 e 2011, consegui assistir aos quatro primeiros da lista. Enfrentei guerras para comprar ingressos; tenho certeza que o Michael Stipe olhou diretamente pra mim; pensei que nunca fosse ver os Cranberries, mas fui ao show duas vezes em um ano e ainda lembro exatamente da emoção que senti quando vi o Bono Vox andando pro palco - mesmo depois de ter passado 10 horas na fila, mal ter comido, mal ter bebido, ter ido ao banheiro uma única vez e, claro, ter ficado amassada entre tanta gente em uma cidade diferente da minha.

Mas ainda faltava um. O Aerosmith foi uma das primeiras bandas que eu tinha certeza de que eram indiscutivelmente boas, sentia que estava acertando e ganhando em ouvir aquilo. Conseguia perceber isso só pela capa do Just Push Play, só pela foto do grupo no verso do livreto e todas essas coisas se confirmavam com o som. Em um mundo que estava com Um Tapinha não Dói, The Calling, Dibob, NX Zero, For Fun, Jet e The Used às alturas, a banda do Steve Tyler era O pote de ouro.

Tinha. Que. Ver. Aerosmith.

E eles deram o ar da graça na Apoteose, em Outubro do ano passado, e chovia demais. Mas, Meu Deus, que show.

O cara é mais que um cantor, ele é um mágico. Vestido cheio de panos sem qualquer combinação, claramente pirado de tudo, certamente cheio de ideias e opiniões bastante próprias e muita muita muita história pra contar - se lembrar -, ele fez daquele espaço sua casa. O cara não tava nem aí com chuva e não pareceu ligar se todos os lugares estavam vendidos ou não. Da mesma forma que antes, tive certeza de que estava vendo e pagando por algo que tava valendo muito muito a pena.

Show é essa coisa estranha que une a gente, que te faz trocar ideia com desconhecidos, que te faz suar demais sem dar a mínima pra isso. É mais ou menos como se libertar totalmente por algumas horas.

Estava muito ansiosa pelo início desse show, mas quando começou, não queria que passasse tão rápido. Terminada uma música, queria gritar e pedir para que ele repetisse mais uma vez só para ter certeza de que gravaria aquilo pra sempre - uma coisa muito boba, mas bastante verdadeira. E, cara, quando tocou I don't Wanna miss a Thing... hahaha Era só o público. E parecia que a galera tava de olho fechado e coração na mão com aquela música cafona.

Janie Got a Gun foi uma surpresa gigantesca, mas muito bem-vinda. Foi uma das primeiras músicas que conheci, fora do Just Push Play - e adoro toda aquela construção. Jaded é a minha favorita, acho que reconheceria até o silêncio que a precede. Mas Dream On foi algo que, abaixem as câmeras, tinha que ser visto a olho nu: Steve Tyler no piano branco, Joe Perry sendo absolutamente fantástico e os dois, juntos, sendo fodas tocando aquela música com a bandeira do Brasil no telão. Porra, maluco! O toque final foi Tyler em cima do piano e toda aquela fumaça branca explodindo no finalzinho da canção.

E no final, como um bom ilusionista, Tyler pegou a atenção da câmera para si enquanto todos o miravam sem piscar, dançando e fazendo outras esquisitices tão próprias, fez algum sinal de despedida e, de repente, não estava mais ali.

VOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOLTA!

Cara, foi muito bom estar viva para ver aquilo.










Nenhum comentário :

Postar um comentário