Do Livro para o Filme
Eu tenho outro blog, que fala sobre Cinema. Ele é muito legal, mas raramente tem críticas. Nossos textos tentam abordar o mundo do cinematográfico como um todo e de uma forma, sei lá, mais analítica/significativa.
Vocês vão pegar a ideia da coisa. Outra parada: a gente abre o espaço para quem quiser mandar sua opinião, sua visão, sua análise etc. O que queremos é abrir o papo sobre filmes. O texto abaixo está, originalmente, postado lá no CineOpinativo (ah, esse é o nome dele, by the way) e resolvi que colocaria aqui também.
Pela atenção, obrigada.
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As adaptações podem gerar grandes amores como, também, uma infinita decepção. Nos posts anteriores, procuramos entender como esse processo ocorre e o que é mais levado em conta na hora de passar o texto para a tela.Posts anteriores:
Entendendo as adaptações: o quadrinho é melhor que o filme
Depois dos posts, a boa é dar uma olhada em como alguns trechos da literatura foram adaptados para o cinema. Como li Harry Potter milhões de vezes, fiquei à vontade em dar A Pedra Filosofal como exemplo.
No livro:
No filme:
Enquanto no texto tem nove linhas para descrever o final da primeira partida de Quadribol de Harry Potter, o vídeo nos dá 01:30, aproximadamente. Primeiro temos o recurso óbvio: a imagem (colorida) em movimento. Temos o som: a música, as vozes, o cortar do ar quando a vassoura passa, o bater de asas do Pomo. E tem a emoção promovida por tudo.
De onde tiraram que o Harry meio que surfou para resgatar o pomo é um mistério, mas deu um toque marcante e diferenciado, como foi citado por Flint.
Agora, sobre o momento que ele pega o pomo: no livro, dá-se a entender que, no meio do mergulho de descida, ele acabou engolindo o objeto, mas conseguiu pousar, levou a mão a boca e meio que o cuspiu ali.
No vídeo, a coisa é mais caricata. Ele coloca as mãos na barriga e fica fazendo movimentos para frente e para trás. Para quem ainda tem qualquer dúvida da intenção, o Hagrid está ali para completar com "Parece que ele vai vomitar!" e, então, Harry o faz.
Os detalhes sempre ajudam a construir a emoção. No final da cena, se você reparar, o cabelo dele está partido exatamente para mostrar a famosa cicatriz na testa: o menino que sobreviveu, órfão, perdido no mundo mágico, acaba de ganhar seu primeiro jogo de Quadribol - finalmente, depois de anos vivendo debaixo da escada, Harry encontrou seu lugar.
(Sem contar com a gritaria vindo da platéia da Grifinória, a decepção da Sonserina, o orgulho do Hagrid e da McGonagall. A câmera pegando o personagem de baixo para cima, dando-lhe maior importância, também contribui para o produto final.)
Depois dos posts, a boa é dar uma olhada em como alguns trechos da literatura foram adaptados para o cinema. Como li Harry Potter milhões de vezes, fiquei à vontade em dar A Pedra Filosofal como exemplo.
No livro:
“Foi o suficiente. No alto, Harry conseguiu de repente voltar a montar a vassoura.─ Neville, pode olhar! ─ disse Rony. Neville passara os últimos cinco minutos soluçando no casaco de Hagrid.Harry estava voando rápido de volta ao chão quando a multidão o viu levar a mão à boca como se fosse vomitar ─ ele pousou no campo de gatas ─ tossiu ─ e uma coisa dourada caiu em sua mão.─ Apanhei o pomo! ─ gritou, mostrando-o no alto, e o jogo terminou na mais completa confusão.
─ Ele não agarrou o pomo, ele quase o engoliu ─ continuava a esbravejar Flint vinte minutos depois, mas não fez diferença, Harry não infringira nenhuma regra e Lino Jordan continuava a gritar alegremente o resultado: Grifinória ganhara por cento e setenta pontos a sessenta. Harry porém não ouvia nada disso. Hagrid lhe preparava no casebre uma xícara de chá forte, em companhia de Rony e Hermione.”
Harry Potter e a Pedra Filosofal, J.K. Rowling, página 166
No filme:
Enquanto no texto tem nove linhas para descrever o final da primeira partida de Quadribol de Harry Potter, o vídeo nos dá 01:30, aproximadamente. Primeiro temos o recurso óbvio: a imagem (colorida) em movimento. Temos o som: a música, as vozes, o cortar do ar quando a vassoura passa, o bater de asas do Pomo. E tem a emoção promovida por tudo.
De onde tiraram que o Harry meio que surfou para resgatar o pomo é um mistério, mas deu um toque marcante e diferenciado, como foi citado por Flint.
Agora, sobre o momento que ele pega o pomo: no livro, dá-se a entender que, no meio do mergulho de descida, ele acabou engolindo o objeto, mas conseguiu pousar, levou a mão a boca e meio que o cuspiu ali.
No vídeo, a coisa é mais caricata. Ele coloca as mãos na barriga e fica fazendo movimentos para frente e para trás. Para quem ainda tem qualquer dúvida da intenção, o Hagrid está ali para completar com "Parece que ele vai vomitar!" e, então, Harry o faz.
Os detalhes sempre ajudam a construir a emoção. No final da cena, se você reparar, o cabelo dele está partido exatamente para mostrar a famosa cicatriz na testa: o menino que sobreviveu, órfão, perdido no mundo mágico, acaba de ganhar seu primeiro jogo de Quadribol - finalmente, depois de anos vivendo debaixo da escada, Harry encontrou seu lugar.
(Sem contar com a gritaria vindo da platéia da Grifinória, a decepção da Sonserina, o orgulho do Hagrid e da McGonagall. A câmera pegando o personagem de baixo para cima, dando-lhe maior importância, também contribui para o produto final.)
Postado originalmente no CineOpinativo
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