A importância das adaptações para a leitura

É bem verdade que, quando eu estava na escola, uma coisa era certa: se o livro recomendado pela professora já tivesse virado filme, a locadora saía lucrando com toda certeza do mundo.
Mas é uma ideia errada ou, ao menos, não totalmente certa.
Não tenho dados em números, nem projeções de vendas, mas pelo que observo, as livrarias enchem suas estantes com edições especiais - aquelas com a foto/capa do filme - de livros que acabaram de ser adaptados. E isso não é à toa, visto que ninguém quer perder dinheiro: se houve investimento, é porque espera-se retorno.
É normal querermos saber mais quando gostamos do filme, pois o desejo de ficar por dentro dos detalhes da trama aumenta. Isso é especialmente visível quando se trata de sagas infanto-juvenis - como Harry Potter, Jogos Vorazes, Crepúsculo (muito embora não consiga concordar que se trate de uma saga) e o mais recente, Divergente.
O público dessas sagas é sedento por mais sagas - e quase todos vão para o cinema. A prova disso é que, não faz muito tempo, saiu na Época uma entrevista com Veronica Roth, a autora de Divergente. Lá ela disse que mal publicou o primeiro livro da trilogia e já estava com o contrato assinado para que o material virasse filme. Nem ela acreditou.
E é uma fórmula que dá muito certo e que tem público espectador e leitor que está louco para colocar as mãos na próxima história. No final, é a venda casada perfeita. Não sei se alguma hora isso vai acabar, mas provavelmente vai desacelerar por causa das semelhanças recorrentes. Ou não, isso fica por conta do futuro. Afinal, Malhação não está aí desde 1995 contando a mesma coisa?
Se você parar para analisar, as histórias se repetem, mesmo que os universos sejam distintos. São heróis diferentes, com problemas de identificação e introspecção, aqueles meio pálidos e meio esquisitos. Sempre tem um romance - geralmente muito especial, intenso e totalmente idealizado. E, claro, algum tipo de luta, guerra, adversidade ou qualquer outra coisa que caracterize um desafio a ser vencido.
É claro que a venda de ingressos ainda é muito maior que a venda de exemplares: um dos motivos é a nova moda de fazer de um livro, dois filmes. Mas é inegável, independente de qualquer questão comercial, que é um prato cheio para o incentivo à leitura.
Considerando que tem mais 06 livros depois e que sempre rola um empréstimo, é um número bastante significativo de leitores - muitos que começaram a ler exatamente por causa dessas sagas.
Sem contar que um livro chama o outro. Quem nunca comprou um só porque disseram que quem gostava de uma história, ia curtir a outra? Foi assim que eu terminei lendo O Segredo da Plataforma 13.
Exemplo pessoal de como uma coisa puxa a outra: assisti As Vantagens de ser Invisível. Gostei muito e comprei o livro. Acabei dando meu exemplar de presente e sei que ele foi emprestado pelo menos uma vez - só aí já foram 03 leitores. Charlie, o personagem principal, tinha um professor que indicava vários livros para ele. Dentre esses, o clássico To Kill a Mockingbird (O Sol é para Todos, que também foi para o cinema) é citado e eu acabei de comprar para ler antes de assistir o filme.
Pode ser que o cara que começou a ler sagas e que continuou assim, nunca chegue a ler Gabriel García Márquez. Ou pode ser que ele tenha, sim, lido Cem Anos de Solidão e acabou conhecendo Neruda, Jorge Luís Borges, Kundera e Hemingway pelo caminho. Não há como saber. Independente de uma situação ou de outra, ele saiu do grupo, infelizmente imenso, de pessoas que nunca deram chance a um livro.
MAIS:

Particularmente, não gosto dessas edições com a capa do filme. De todos os livros que tenho, e que foram adaptados, só três não escaparam disso: O Lado Bom da Vida, Precisamos Falar sobre o Kevin e As Vantagens de ser Invisível, que não tenho mais. Evito comprá-las, mas é quase impossível: além de virarem maioria, as capas originais acabam se tornando extremamente exclusivas - o que reflete diretamente no preço.
Não sabia dessa tática comercial e não sei se é regra, mas percebi isso quando fui comprar o Precisamos Falar sobre o Kevin. Tinha achado o filme incrível, de tirar o fôlego etc, e queria o livro de qualquer forma. Mas queria a capa original, que caracteriza perfeitamente o assunto da conversa (imagem abaixo). Depois de várias pesquisas e passeios por livrarias, descobri que o livro com a capa promocional era, mais ou menos, R$ 20 mais barato que seu antecessor - e que já estava esgotado.
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